Demissão! E o feedback, estava em dia?

Vivemos um momento diferente na economia nacional, e isto tem provocado uma série de ajustes nas empresas, principalmente no que tange ao controle e redução de custos, e infelizmente este movimento doloroso, mas necessário, tem alcançado os postos de trabalho, seja pelo corte de vagas, otimização de processos ou até mesmo alinhamento salarial numa nova realidade.

É um momento impensável para muitos, uma vez que há pouco mais de dois anos vivíamos dias de total escassez de mão-de-obra, e aqui não especifico a mão-de-obra qualificada, empresas não conseguiam contratar ou completar os seus quadros por total falta de pessoas disponíveis para o trabalho.

Tal constatação se via em qualquer tipo de empreendimento, da construção civil ao abate de frangos, de lojas de departamentos a fabricantes de bebidas, todos sofriam com esta escassez. Vivemos inclusive dias de Europa e Estados Unidos com a chegada de imigrantes latinos em busca deste novo Eldorado, e as vagas por vezes dispensadas por brasileiros eram preenchidas rapidamente por quem vinha disposto ao trabalho, mas isto é assunto para outro artigo.

Mas o cenário mudou, e hoje vemos grandes processos de demissão acontecendo em todos os cantos do pais, não privando nenhum segmento de mercado, ou qualificação do profissional.

Preservar as empresas é necessário, por isso o corte na própria carne infelizmente acontece.

Não questiono aqui se é ou não a melhor alternativa, entendo sua necessidade temporária, mas é preciso e necessário que estes processos aconteçam de forma clara, justa, transparente e apoiadora para o profissional demitido.

Cada empresa tem seus “porquês” e são legítimos, mas é de suma importância que se respeite o ser humano por detrás da posição no headcount da empresa, é necessário que se forneçam motivos justos e transparentes para esta tomada de decisão.

A empresa que possui um processo estruturado de feedback, com formato e periodicidade adequados tem grande vantagem neste momento difícil, visto que por mais complicado que seja, o colaborador a ser demitido saberá os motivos que o colocaram nesta blacklist e o gestor poderá abordar o assunto com naturalidade e sem receios.

Por outro lado, quando a empresa não possui processos justos e estruturados de feedback contínuo, ou possuem para “atender os requisitos de auditoria”, o momento da demissão torna-se uma tormenta tanto para o gestor quanto para o colaborador a ser demitido, pois o gestor fica todo melindrado sobre o que pode ou não dizer, e o colaborador por sua vez fica à deriva sem saber o real motivo de ter sido colocado na lista.

Para se angariar respeito e credibilidade de seus colaboradores, clientes e sociedade, toda empresa deve tratar de forma justa e respeitosa seus colaboradores.

É certo que as posições no headcount são da empresa, e os profissionais “estão” nos cargos e não “são” os cargos, mas proporcionar à todos aqueles que infelizmente engrossem as listas de demissão uma saída justa, honrada e consciente de seus gaps é mais que um dever da empresa, é uma demonstração clara de que esta empresa realmente se preocupa com as pessoas, e não simplesmente se preocupa em melhorar os indicadores de satisfação e engajamento das pesquisas internas, ou para fazer reportagens coloridas para a revista mensal.

O  Feedback não pode ser banalizado dentro de uma organização, ao contrário deve ser estimulado e feito com um grau de seriedade ímpar.

Por mais difícil que seja, uma demissão não deve provocar traumas, mas sim reflexões tanto para o colaborador demitido, quanto para o gestor que fica, e principalmente para a empresa e suas práticas de recursos humanos.

Uma empresa que não respeita suas pessoas, não merece o respeito da comunidade que a acolhe.

Pense nisso, e se fizer sentido curta, comente e compartilhe.